segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Numa dessas segundas-feiras...

Relendo o meu diário de bordo, achei o registro de uma das minhas segundas-feiras:


Segunda-feira, 20/11/2006


Não é difícil perceber que é preciso pedir proteção divina para carregarmos as pequenas cruzes do dia-a-dia. São 07h30min e o dia já começou para muita gente. As pessoas andam freneticamente no centro da cidade em ritmo tão acelerado que mal conseguem enxergar quem dorme sob a marquise do prédio da esquina. E quem se importa? Não dá tempo!

O rádio ligado me conta que é preciso evitar a subida do Ponteio, região do BH shopping, porque há um ônibus atravessado na pista e não se sabe o motivo. O trânsito de tão lento obriga o nosso ônibus andar a 40 km por hora, o que me faz, por alguns segundos, colocar a culpa da lentidão nas obras da “linha verde”. Vejo um amontoado de gente com olhos fixos nos pneus de um ônibus parado no canto esquerdo da pista. Um motoqueiro está estirado no chão e só consigo enxergar os olhos abertos do rapaz. Prefiro acreditar que ele está vivo.

Meu telefone toca e quebra um pouco do gelo do silêncio da viagem. A ligação é daquelas boas de receber. A voz do outro lado da linha provoca transformação imediata no meu rosto que ganha um sorriso de canto a canto.

09h00min horas. Os longos atrasos nos aeroportos ainda são uma constante. Já na fila do check-in, ouço as lamentações de uma passageira revoltada e com voz áspera e intolerante se dirige ao funcionário da companhia aérea e diz “Sabe quem eu sou?” Coitada! Ela desconhece que em uma fila, seja ela qual for (padaria, banco, supermercado, casa lotérica e outras tantas), preferência mesmo é para deficientes físicos, idosos, gestantes e mães com crianças no colo.

Ainda não estou nem na metade dessa manhã de segunda-feira! Parcialmente conformada com a notícia do “pequeno” atraso do meu vôo, resolvo conferir mais uma vez o painel de partidas. Eis que diminuirá uma hora o meu atraso de três. Que sorte a minha! Cada um carrega suas pequenas cruzes diárias da maneira que achar conveniente. Por mais difícil que sejam, escolho levar as minhas com otimismo! (CMB)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Então é Natal

Amai-vos...



Amai-vos um ao outro,

mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante

entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,

mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,

mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,

e sede alegres,

mas deixai

cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira

são separadas e,

no entanto,

vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,

mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida

pode conter vosso coração.

E vivei juntos,

mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo

erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste

não crescem à sombra um do outro.

Gibran Kahlil Gibran -

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu voltei!

O ano era 2002. Sem saber o porque e nem para que, comecei a ter uma vontade grande e inexplicável de sair pelas ruas de uma maneira inusitada para mim até então: correndo! Como vivia na montanhosa Diamantina, cravada na Serra do Espinhaço, interior de Minas Gerais, encontrei no Quartel da cidade um dos poucos (talvez único, rs!) lugares planos para satisfazer a minha vontade. E lá estava eu, sempre nas tardes de domingo, dando os meus primeiros "trotes". É claro que eu dispensava aquecimentos, afinal após subir todas aquelas ladeiras eu me considerava pronta para correr. Lembro-me da cara do oficial que tomava conta da guarita com um quê de dúvida atrelada à curiosidade. A recompensa era ver o pôr do Sol lá do alto e voltar p/ casa feliz e com a alma mais leve. E assim foi, até me formar.

Em 2004, fiz, por minha conta, a minha 1a Volta Internacional da Pampulha. Tudo errado e sem falar no amadorismo ao cubo! E como eu sofri durante o percurso! Vi e ouvi de tudo: pagadores de promessas, mancos, jovens, homens, mulheres, magros e nem tão magros assim... Pronto! Tava ali a confirmação de um esporte super democrático onde todos eram bem-vindos! O tênis duro (eu nem sabia que existiam os bacanudos!) encharcou de tanto banho que me dei ao longo do trajeto e o conjunto da obra tênis-furreca-perna-que-doia quase me traiu. Mas resisti, segui e 2 horas e 16 min depois, completei a prova me sentindo a mais poderosa das garotas da Terra! Foi assim mesmo quando me venci, oficialmente, pela 1a vez!

Daí para frente, contei com a preciosa ajuda técnica do treinador Luiz Fernandes, afinal eu queria mais e a meta da vez foi a Meia Maratona do Rio, mas p/ isso acontecer, meus caros, muito "arroz com feijão" eu tive que comer! Vieram as provas de 5km, as tantas de 10km e um 4 lugar na minha "catiguria" na Corrida 10 km do Jornal Estado de Minas que era subida pura! A cada medalha de concluinte eu me apaixonava mais e mais pela corrida.

Enfim, setembro de 2005 chegou e com ele a tão esperada 1/2 maratona do Rio. Não consegui dormir bem na véspera e um friozinho tomou conta de mim desde o momento que pisei em solos cariocas. Poxa, então eu tava lá, tão pequena e sozinha no meio daquela multidão e só conseguia manter firme a idéia fixa de concluir a prova. Era eu comigo mesma. A tática desta pessoa que vos escreve foi dividir todo o percurso de acordo com provas que eu já havia feito para dar "'aquela ajuda amiga" ao psicológico. Em certos momentos pensava em nada, noutros, em tudo... Emoções à flor da pele não "só" pelo cansaço, mas, também, pela benção daquela "pegadinha" dos últimos 6km onde a gente via o pórtico à nossa esquerda e o cone do retorno não chegava nunca!! No quilometro 20 senti que o meu corpo todo se arrepiou, agradecia, agradecia à Deus por estar ali, naquela lição de auto-conhecimento e não segurei: chorei, chorei copiosamente...

Em prol da minha carreira acadêmica, mudei-me para Floripa em 2006 e, instalada naquela lindeza da Lagoa da Conceição, descobri o surf (Pasmem! rs!) e continuei correndo com o Grupo de corrida da Academia Forma, onde conheci pessoas incríveis e ótimos companheiros (as) durante os treinos noturnos. Voltei para BH em 2008 e aí? Veio o casório, Doutorado e lá se foram as minhas corridas...

E eis que, neste finalzinho de 2009, leio nos posts na Nike (via Twiiter) um tal de TwittersRun e logo pedi a eles um contato de alguém do grupo aqui em Minas para trocar umas idéias e, quem sabe, recontagiar-me com o vírus da corrida! E, sinceramente, depois de ver a cordialidade, simpatia e animação do pessoal (mesmo que em um primeiro momento virtualmente), voltei a correr. Com treinos ainda meio tímidos, oficializei a minha volta às ruas (rs!) na corrida Verão da Adidas na prova de 5km. Ao término da corrida, lá estava o maridão com um sorriso no rosto, abraços e uma assinatura da revista O2 como incentivo! Eu adorei!

Conhecer, de verdade, uma parte da turma do #TwittersRun valeu demais e hoje (8/12/9) venho aqui agradece-los pela forma bonita que amam esse esporte gostoso e que, mesmo muitos nem imaginam, foram, sim, grandes colaboradores pelo meu grande feito desta tarde de terça-feira: fiz o meu primeiro treino de 10km depois de 1 ano e meio parada!

Muito Obrigada #TwittersRun, a corrida é mesmo apaixonante e que vocês continuem firmes pelo Brasil a fora espalhando esse vírus do bem! Sim, Eu voltei a correr!

Beijo,

Carol B.







sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Isso não é natural!


Nós vos pedimos com insistência: nunca digam - isso é natural!

Diante dos acontecimentos de cada dia.

Numa época em que reina a confusão, em que corre o sangue,

Em que o arbitrário tem força de lei, em que a humanidade se desumaniza

Não digam nunca: isso é natural!

A fim de que nada passe por ser imutável.


(Bertold Brecht)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Compaixão

Fui convidada por uma amiga (Dani Karine da Enfim Design http://enfimdesign.com.br) a ajudar a creche Taquaril que fica na região leste de Belo Horizonte. Vendo as fotos do lugar e a carinha "tchuca" da meninada, resolvi pedir a sua ajuda também!



Precisa ser só ajuda em $$? Não! É claro que a grana é sempre muito bem vinda, mas não é tudo! Por exemplo, eu sou dentista e gostaria de doar o meu tempo fazendo escovação e teatrinho com a meninada. Uma outra, é arquiteta e doou o projeto da reforma da sede. Quem quiser ir contar histórias, pode também!




Falando em reforma... Eles precisam de material de construção para iniciar a obra.


Bom, essa é a boa idéia da segunda!




Para quem quiser entrar em contato com a creche e conhecer mais um pouco sobre ela é só acessar: http://www.ajudeseuirmao.blogspot.com/


Beijos!
Carol B.